segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um mentolado

Sabia que tudo estava em paz, que cada coisa voltara milimetricamente ao seu lugar, sobretudo cá dentro de si. Expiração e inspiração em perfeita sintonia com as batidas do seu coração. Mente tranquila, corpo em sutil frenesi. Olhos que agora só viam o que queriam. Ouvidos para escutar apenas poesias.

Sabia que era melhor. Sabia que era maior.

Um esbarrão acidental interrompera seus pensamentos. A pouca iluminação do ambiente revelava de forma extasiante e discreta seus olhos cuidadosamente pintados de negro. O som estridente lhe invadia a alma, mas nada usurpara sua serenidade. Fitou todo movimento ao seu redor e um sorriso libertador brotou espontaneamente de seus lábios. Deu um gole no Martini Bianco. Tragou um mentolado. Já não tinha mais com o que se preocupar.


No radinho de pilha: Live and Let Die – Guns N’ Roses

(Minha eterna paixão por Guns e meu amor platônico por Axl, o único que fica lindo de shortinho do tchan e saia de toalha de cantina italiana rsrsrs)

P.s.: Desculpem minha ausência. Aos poucos pretendo voltar a postar e comentar blogs alheios. Hasta!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Seiscentos e Sessenta e Seis


A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.


(Mário Quinta)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vazio Agudo

"vazio agudo
ando meio
cheio de tudo."

(Paulo Leminski)


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pensamentos leves



Quero a simplicidade de uma flor arrancada
de um jardim qualquer
enquanto andamos sob o sol e o sabor inigualável do beijo
surpreendentemente roubado enquanto o vento sopra meus cabelos,
escondendo parcialmente meu rosto feliz.

No radinho de pilha: Gita - Raul Seixas

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O que vale mais? As palavras ou as atitudes?

Estava cá com meus botões pensando sobre palavras, atitudes, respeito e consideração (ou melhor, a falta de respeito e de consideração). Resolvi jogar tudo no Google para ver no que iria dar. Acabei encontrado esse texto. É curtinho e bem simples, mas consegue resumi de forma harmônica meus pensamentos desordenados.

Taí! Queria tê-lo escrito!

Outro dia ouvi alguém dizer que “o que vale é a intenção!”.
Bem, aqui vai a minha opinião: de que adianta uma boa intenção sem atitude?
De que adianta ter a intenção de ajudar alguém, se não formos capazes de mover um único osso de nosso corpo nessa direção?
De que vale a intenção de respeitar alguém, se na verdade agimos pensando apenas em nós mesmos?
De que vale a intenção de amar, se agimos com o mais puro desamor?
Na minha opinião, vale muito pouco, para não dizer nada.
Eu posso ter os mais belos pensamentos e ideais, mas se eles não vierem acompanhados de atitudes coerentes, tornam-se apenas uma cantiga para anestesiar a minha consciência ameaçada pela culpa de não ter agido de acordo com ela.
Dizer simplesmente para si próprio: “ Eu não tive a intenção de ferir ninguém” é uma desculpa para que não nos sintamos tão culpados pelo mal que causamos. É como se nos tornássemos crianças dizendo: “ Ah... Mas eu não queria que fosse assim”- como se dessa maneira o mal causado se tornasse menor, ou menos nocivo.

Escrito por Patricia Gebrim.


P.s.: Cansei de ouvir palavras bonitas. Agora estou em busca de atitudes!


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Espelho

Eu?!
Ah, eu sou uma pessoa intensa. Para mim, ou é tudo ou é nada. Não sou chegada ao meio-termo. Talvez essa seja a razão de gostar tanto do vermelho: uma cor vibrante e cheia de vida como eu.

Quero tudo e quero agora! Passada a minha vontade, não me venha com “delongas”, pois certamente ela não há de voltar. Não tenho medo de deixar para trás o que estagna minha energia. Entretanto, me seguro até onde posso em minhas palavras e questionamentos; pois o meu silêncio é fatal: tem a cor e a profundidade do abismo do esquecimento.


P.s.: Por hora, sigo descrevendo a mim mesma, pois ainda é quem eu mais conheço. Para mim, sou um túnel iluminado por lamparinas, onde surpreendo-me a cada passo. Quanto aos demais, esses sempre me serão labirintos sinuosos e obscuros (com todo respeito).

No radinho de pilha: Go Back – Titãs

domingo, 4 de outubro de 2009

Panta Rhei!

"O rio que desce o vale
Não é o mesmo
Em que ontem me banhei.
Seu constante movimento
Renovaram suas águas.
As correntes de outrora
Fragmentaram-me o ser.
De sorte que hoje,
Não sou o mesmo
Que era antes.
Prossigo morrendo
A cada minuto que vivo.
Transformo-me velozmente,
Como que em um instante,
Num reflexo de luz.
O processo é ativo.
A marcha é contínua.
Viver é a arte da morte.
A morte uma forma de vida.
O curso é contrário.
Princípio é final.
O fim é início.
Anacronismo girante.
Nada é estável."

(Heráclito de Éfeso 535AC a 484AC)


No intuito de esclarecer o dinamismo das mudanças que ocorrem na physis (natureza), Heráclito de Éfeso formulou o principio do “Panta Rhei” (tudo flui e nada fica como é) o qual postulava que tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático; "tudo se move", exceto o próprio movimento.

Tempo é o fluxo da realidade. É o suceder dos acontecimentos. Fora de nós, os segundos não param. Os instantes não se paralisam. Tudo continua fluindo. Em nada resulta erguermos castelos encantados num mundo de imaginação, dentro de nós. A vida não nos espera sonhar para continuar. Se não estivermos acordados e com os pés no chão, nada acontecerá ou virá até nós.

Portanto, meus queridos, vivamos na prática o estilo Panta Rhei de ser. Pois a vida pede hoje, pede agora!