quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Liberdade


De repente, a gaiola foi aberta.

Acostumado àquele lugar reduzido e tantas vezes sufocante, ele olhava para a porta aberta e tinha medo do que via. Tentou uma, duas, três vezes... Bateu as asas mas não conseguiu voar.

Diante da porta aberta, mais uma vez admirou a paisagem. Seus olhos ficaram perplexos ao verem tanta beleza e liberdade que resplandeciam para eles. Deu um passo e sem que percebesse, já estava voando: a princípio vôos curtos com rápidas batidas de asas. Não cansava de contemplar tamanha liberdade e logo alçou vôos maiores com firmes batidas de asas, cruzando a imensidão daquele céu... Voltar era retroceder. Ele queria mais! Pois não acreditava no tempo que havia perdido dentro daquela gaiola notoriamente pequena e enferrujada, entretanto de bonita aparência aos seus olhos ali enclausurados. Lembrou ainda do quanto seu canto não mais ressoava com vivacidade e ternura aos ouvidos alheios, e compreendeu que aquele sim era o tesouro que havia perdido.

Bateu as asas com mais força, mais força, mais força...

Agora tinha o adejar de uma águia, a beleza gracejante das borboletas e o doce canto do rouxinol.

- Ah como é bom bater asas e voar!

Como é boa a liberdade que surge ali nas entranhas e paulatinamente torna-se maior, a ponto de não caber mais dentro de si.
Isso sim é liberdade!
Isso sim é amor... amor próprio! (único e verdadeiro)

As gaiolas pequenas ficam, mas os pássaros vão! Podem até abrigar outros moradores, mas nunca passaram de um emaranhado de ferros carcomidos pela ferrugem.

Feliz é o pássaro que pertence à liberdade.
Triste é a gaiola que inutilmente tenta aprisionar aquilo que gosta.

- Feliz é o pássaro... Feliz é o pássaro!


No radinho de pilha: Free Bird – Lynyrd Skynyrd


P.s.: E o ano não acabou; nem aquela foi a última postagem rsrsrs
Plagiando um pouco a Lispecto, só tenho uma coisa a dizer “Liberdade é pouco, o que eu SINTO ainda não tem nome”.

P.s.2: Tenho muito que agradecer e a muita gente, mas vou começar agradecendo Àquele lá de cima por ter colocado (e também recolocado) vocês em meu caminho. O momento para todos esses encontros e reencontros não poderia ser mais propício! Tenho certeza que foi tudo obra Dele! Hoje posso dizer que sou a pessoa mais feliz do mundo... E foram vocês que contribuirão para tal fato. MUITO OBRIGADA! Não vou citar nomes, pois não quero cometer a indelicadeza de esquecer alguém, porém, tenho certeza que cada um de vocês irá saber e sentir minha gratidão.

Sem meus amigos não sou NINGUÉM!!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Instinto


Silêncio. Entre dois corpos apenas a distância de um beijo. Vagarosamente sua boca sedenta encontra a minha boca ímpia. Teus lábios úmidos repousam sobre os meus tingidos; e logo tua língua quis ser dona do meu céu. Salivas agri-e-doce misturam-se em uma perfeita alquimia. Segurava tua nuca enquanto apertavas minha cintura. Sentia tua respiração ofegante e teu coração acelerado. Mas no meu peito nenhuma batida ousou causar descompasso na minha silenciosa, intrépida e dolorosa sinfonia. Era apenas instinto!

- Meus pensamentos naquele momento?! Isso não te conto! Eles vão além dos meus instintos, são minha verdadeira essência.


No radinho de pilha: Balada do Céu Negro – Zeca Baleiro

P.s.1: Eu sei que agridoce se escreve junto. Mas preferi escrever separada com hífen porque, a meu ver, a dualidade fica mais explícita.

P.s.2: Bem, provavelmente essa será a última postagem do ano. Desde já quero deixar registrado meus votos de Feliz Natal e um Ano Novo repleto de novidades e bons acontecimentos. Nos vemos em 2010! Beijos e hasta!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um mentolado

Sabia que tudo estava em paz, que cada coisa voltara milimetricamente ao seu lugar, sobretudo cá dentro de si. Expiração e inspiração em perfeita sintonia com as batidas do seu coração. Mente tranquila, corpo em sutil frenesi. Olhos que agora só viam o que queriam. Ouvidos para escutar apenas poesias.

Sabia que era melhor. Sabia que era maior.

Um esbarrão acidental interrompera seus pensamentos. A pouca iluminação do ambiente revelava de forma extasiante e discreta seus olhos cuidadosamente pintados de negro. O som estridente lhe invadia a alma, mas nada usurpara sua serenidade. Fitou todo movimento ao seu redor e um sorriso libertador brotou espontaneamente de seus lábios. Deu um gole no Martini Bianco. Tragou um mentolado. Já não tinha mais com o que se preocupar.


No radinho de pilha: Live and Let Die – Guns N’ Roses

(Minha eterna paixão por Guns e meu amor platônico por Axl, o único que fica lindo de shortinho do tchan e saia de toalha de cantina italiana rsrsrs)

P.s.: Desculpem minha ausência. Aos poucos pretendo voltar a postar e comentar blogs alheios. Hasta!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Seiscentos e Sessenta e Seis


A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ªfeira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
seguia sempre, sempre em frente ...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.


(Mário Quinta)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Vazio Agudo

"vazio agudo
ando meio
cheio de tudo."

(Paulo Leminski)


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pensamentos leves



Quero a simplicidade de uma flor arrancada
de um jardim qualquer
enquanto andamos sob o sol e o sabor inigualável do beijo
surpreendentemente roubado enquanto o vento sopra meus cabelos,
escondendo parcialmente meu rosto feliz.

No radinho de pilha: Gita - Raul Seixas

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O que vale mais? As palavras ou as atitudes?

Estava cá com meus botões pensando sobre palavras, atitudes, respeito e consideração (ou melhor, a falta de respeito e de consideração). Resolvi jogar tudo no Google para ver no que iria dar. Acabei encontrado esse texto. É curtinho e bem simples, mas consegue resumi de forma harmônica meus pensamentos desordenados.

Taí! Queria tê-lo escrito!

Outro dia ouvi alguém dizer que “o que vale é a intenção!”.
Bem, aqui vai a minha opinião: de que adianta uma boa intenção sem atitude?
De que adianta ter a intenção de ajudar alguém, se não formos capazes de mover um único osso de nosso corpo nessa direção?
De que vale a intenção de respeitar alguém, se na verdade agimos pensando apenas em nós mesmos?
De que vale a intenção de amar, se agimos com o mais puro desamor?
Na minha opinião, vale muito pouco, para não dizer nada.
Eu posso ter os mais belos pensamentos e ideais, mas se eles não vierem acompanhados de atitudes coerentes, tornam-se apenas uma cantiga para anestesiar a minha consciência ameaçada pela culpa de não ter agido de acordo com ela.
Dizer simplesmente para si próprio: “ Eu não tive a intenção de ferir ninguém” é uma desculpa para que não nos sintamos tão culpados pelo mal que causamos. É como se nos tornássemos crianças dizendo: “ Ah... Mas eu não queria que fosse assim”- como se dessa maneira o mal causado se tornasse menor, ou menos nocivo.

Escrito por Patricia Gebrim.


P.s.: Cansei de ouvir palavras bonitas. Agora estou em busca de atitudes!